"Nunca compre uma FZ25."
Foi exatamente isso que pensei durante alguns segundos quando o vendedor voltou da sala do financiamento.
Eu tinha entrado naquela concessionária decidido. Ia sair de uma MT-03. Durante semanas pesquisei motos, comparei modelos, assisti a dezenas de vídeos e conversei com amigos que já pilotavam há mais tempo. Eu tinha um objetivo muito claro: queria uma moto que fosse segura para viajar entre as cidades do Vale do Itajaí e do litoral catarinense, mas que também tivesse potência suficiente para fazer ultrapassagens com tranquilidade.
Na minha cabeça, a escolha já estava feita. Só existia um problema. Nenhum banco quis financiar a moto.
Naquele momento, achei que meu sonho tinha acabado antes mesmo de começar. Alguns minutos depois, o vendedor voltou com outra proposta.
"A FZ25 foi aprovada."
Não era a moto que eu queria. Era simplesmente a única que eu podia levar para casa.
Seis meses depois, depois de mais de 3.500 quilômetros rodados, posso dizer com toda tranquilidade que aquela reprovação no financiamento foi uma das melhores coisas que aconteceram desde que comecei minha vida adulta.
Talvez, se o financiamento da MT-03 tivesse sido aprovado naquele dia, eu nunca teria descoberto o quanto a FZ25 combina com alguém que está comprando sua primeira moto.
Esta não é uma ficha técnica. Também não é um texto patrocinado por fabricante. É a história de um rapaz de 20 anos que sonhava com motos esportivas, entrou em uma concessionária para comprar uma MT-03 e saiu pilotando uma FZ25. E, olhando para trás, faria exatamente a mesma escolha novamente.
A caça, a recusa do banco e a compra inesperada
Tudo começou porque percebi que estava sobrando um pouco de dinheiro do meu salário atual no fim do mês. Trabalho como CLT ganhando uma média de dois salários mínimos e, conversando com vários colegas que já tinham tirado moto recentemente, vi que esse valor seria suficiente para pagar uma parcela. Meus pais são muito céticos com essa história de moto, eles preferiam mil vezes que eu comprasse um carro, mas a vontade de ter minha liberdade no asfalto falou mais alto.
Como essa seria minha primeira moto, eu tinha uma exigência inegociável na cabeça: precisava ser muito segura na rodovia. Eu cansei de ouvir pessoas com motos menos potentes reclamando que não conseguiam ultrapassar um caminhão ou uma carreta na estrada. Por isso, meu objetivo era pegar uma máquina que não fosse pequena e que chegasse pelo menos aos 160 quilômetros por hora com facilidade.
Minha primeira paixão foi a Kawasaki Ninja 300. Ela parecia perfeita para o que eu buscava. Chega facilmente nessa velocidade, tem aquela carenagem maravilhosa que dá uma segurada maior contra os ventos dos caminhões na estrada e impõe muito respeito. Cheguei a destrinchar tudo sobre ela quando escrevi o artigo sobre a Ninja 300 aqui para o blog. Porém, olhando para o uso no dia a dia, ela não parecia a opção mais prática para a minha rotina.
Busquei outras alternativas no mercado, olhei a CB 300, namorei a R15 e fui conversando com meus amigos motoqueiros para pegar opiniões reais. A conclusão da galera foi que a MT-03 seria melhor inclusive que a Ninja 300, pois servia tanto para fazer ultrapassagem segura na estrada quanto para encarar o trânsito pesado da cidade. Se você quiser entender os motivos que me fizeram cobiçar tanto esse modelo, dá uma olhada no review completo da MT-03 que publiquei tempo atrás.
Decidido e confiante, fui para a concessionária. Cheguei lá e me deparei com a maravilhosa MT-03 ao vivo. Depois de um ano inteiro trabalhando duro, sem nenhuma mancha no meu nome, pensei que meu crédito seria aprovado sem dúvidas. E adivinha só: nada feito! Ninguém queria financiar minha tão sonhada MT-03.
A única alternativa que me deram foi tentar passar a ficha para a FZ25. Eu sabia que a MT-03 seria bem mais custosa para manter a longo prazo, mas eu estava ansioso demais para esperar um consórcio ou juntar o dinheiro à vista. Decidimos tentar o financiamento mais uma vez com o vendedor e, por sorte ou destino, um banco decidiu aprovar a FZ25 usando os meus 8 mil reais de entrada. Assinei a papelada na hora e uma semana depois fui buscar a moto já emplacada.
O choque dos 140 km/h e a virada de chave
Moro bem perto do meu trabalho e praticamente aprendi a dirigir com ela no trânsito real. No início, confesso que sentia muito medo de sofrer algum acidente ou deixar a moto cair. Mas o primeiro balde de água fria mesmo veio quando peguei a rodovia e tentei enrolar o cabo.
Eu simplesmente não gostei muito da moto nas primeiras semanas porque ela não parecia chegar a uma velocidade muito alta. Ela não passava dos 140 quilômetros por hora de jeito nenhum. Para um garoto que estava focado em bater os 160 para cruzar com folga pelas rodovias de mão dupla, isso foi uma baita frustração inicial.
Só que os quilômetros foram passando e a minha mentalidade mudou completamente. Hoje, rodando principalmente entre cidades, descobri que a FZ25 é um verdadeiro tanque de guerra. Ela é simplesmente muito segura. Acabou valendo muito a pena sacrificar velocidade máxima em troca de uma estabilidade que perdoa os erros de um novato.
O conjunto de freios ABS nas duas rodas é fantástico e te salva de derrapagens em frenagens bruscas. Além disso, ela calça pneus bem largos, com 100 milímetros na dianteira e 140 milímetros na traseira, o que deixa a moto absurdamente estável nas curvas e colada no chão. Eu não fazia ideia que começar com uma moto de cilindrada um pouco maior seria uma das minhas melhores escolhas.



