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MOTO NA PRÁTICA
A FZ25 não era a moto que eu queria (e isso acabou sendo ótimo)
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Review 12 min de leitura17 de jul. de 2026

A FZ25 não era a moto que eu queria (e isso acabou sendo ótimo)

Peguei a chave em janeiro e desde então rodei mais de 3.000 km. Aqui vai tudo que aprendi — o que é ótimo, o que incomoda e por que ainda não me arrependo.

"Nunca compre uma FZ25."

Foi exatamente isso que pensei durante alguns segundos quando o vendedor voltou da sala do financiamento.

Eu tinha entrado naquela concessionária decidido. Ia sair de uma MT-03. Durante semanas pesquisei motos, comparei modelos, assisti a dezenas de vídeos e conversei com amigos que já pilotavam há mais tempo. Eu tinha um objetivo muito claro: queria uma moto que fosse segura para viajar entre as cidades do Vale do Itajaí e do litoral catarinense, mas que também tivesse potência suficiente para fazer ultrapassagens com tranquilidade.

Na minha cabeça, a escolha já estava feita. Só existia um problema. Nenhum banco quis financiar a moto.

Naquele momento, achei que meu sonho tinha acabado antes mesmo de começar. Alguns minutos depois, o vendedor voltou com outra proposta.

"A FZ25 foi aprovada."

Não era a moto que eu queria. Era simplesmente a única que eu podia levar para casa.

Seis meses depois, depois de mais de 3.500 quilômetros rodados, posso dizer com toda tranquilidade que aquela reprovação no financiamento foi uma das melhores coisas que aconteceram desde que comecei minha vida adulta.

Talvez, se o financiamento da MT-03 tivesse sido aprovado naquele dia, eu nunca teria descoberto o quanto a FZ25 combina com alguém que está comprando sua primeira moto.

Esta não é uma ficha técnica. Também não é um texto patrocinado por fabricante. É a história de um rapaz de 20 anos que sonhava com motos esportivas, entrou em uma concessionária para comprar uma MT-03 e saiu pilotando uma FZ25. E, olhando para trás, faria exatamente a mesma escolha novamente.

A caça, a recusa do banco e a compra inesperada

Tudo começou porque percebi que estava sobrando um pouco de dinheiro do meu salário atual no fim do mês. Trabalho como CLT ganhando uma média de dois salários mínimos e, conversando com vários colegas que já tinham tirado moto recentemente, vi que esse valor seria suficiente para pagar uma parcela. Meus pais são muito céticos com essa história de moto, eles preferiam mil vezes que eu comprasse um carro, mas a vontade de ter minha liberdade no asfalto falou mais alto.

Como essa seria minha primeira moto, eu tinha uma exigência inegociável na cabeça: precisava ser muito segura na rodovia. Eu cansei de ouvir pessoas com motos menos potentes reclamando que não conseguiam ultrapassar um caminhão ou uma carreta na estrada. Por isso, meu objetivo era pegar uma máquina que não fosse pequena e que chegasse pelo menos aos 160 quilômetros por hora com facilidade.

Minha primeira paixão foi a Kawasaki Ninja 300. Ela parecia perfeita para o que eu buscava. Chega facilmente nessa velocidade, tem aquela carenagem maravilhosa que dá uma segurada maior contra os ventos dos caminhões na estrada e impõe muito respeito. Cheguei a destrinchar tudo sobre ela quando escrevi o artigo sobre a Ninja 300 aqui para o blog. Porém, olhando para o uso no dia a dia, ela não parecia a opção mais prática para a minha rotina.

Busquei outras alternativas no mercado, olhei a CB 300, namorei a R15 e fui conversando com meus amigos motoqueiros para pegar opiniões reais. A conclusão da galera foi que a MT-03 seria melhor inclusive que a Ninja 300, pois servia tanto para fazer ultrapassagem segura na estrada quanto para encarar o trânsito pesado da cidade. Se você quiser entender os motivos que me fizeram cobiçar tanto esse modelo, dá uma olhada no review completo da MT-03 que publiquei tempo atrás.

Decidido e confiante, fui para a concessionária. Cheguei lá e me deparei com a maravilhosa MT-03 ao vivo. Depois de um ano inteiro trabalhando duro, sem nenhuma mancha no meu nome, pensei que meu crédito seria aprovado sem dúvidas. E adivinha só: nada feito! Ninguém queria financiar minha tão sonhada MT-03.

A única alternativa que me deram foi tentar passar a ficha para a FZ25. Eu sabia que a MT-03 seria bem mais custosa para manter a longo prazo, mas eu estava ansioso demais para esperar um consórcio ou juntar o dinheiro à vista. Decidimos tentar o financiamento mais uma vez com o vendedor e, por sorte ou destino, um banco decidiu aprovar a FZ25 usando os meus 8 mil reais de entrada. Assinei a papelada na hora e uma semana depois fui buscar a moto já emplacada.

O choque dos 140 km/h e a virada de chave

Moro bem perto do meu trabalho e praticamente aprendi a dirigir com ela no trânsito real. No início, confesso que sentia muito medo de sofrer algum acidente ou deixar a moto cair. Mas o primeiro balde de água fria mesmo veio quando peguei a rodovia e tentei enrolar o cabo.

Eu simplesmente não gostei muito da moto nas primeiras semanas porque ela não parecia chegar a uma velocidade muito alta. Ela não passava dos 140 quilômetros por hora de jeito nenhum. Para um garoto que estava focado em bater os 160 para cruzar com folga pelas rodovias de mão dupla, isso foi uma baita frustração inicial.

Só que os quilômetros foram passando e a minha mentalidade mudou completamente. Hoje, rodando principalmente entre cidades, descobri que a FZ25 é um verdadeiro tanque de guerra. Ela é simplesmente muito segura. Acabou valendo muito a pena sacrificar velocidade máxima em troca de uma estabilidade que perdoa os erros de um novato.

O conjunto de freios ABS nas duas rodas é fantástico e te salva de derrapagens em frenagens bruscas. Além disso, ela calça pneus bem largos, com 100 milímetros na dianteira e 140 milímetros na traseira, o que deixa a moto absurdamente estável nas curvas e colada no chão. Eu não fazia ideia que começar com uma moto de cilindrada um pouco maior seria uma das minhas melhores escolhas.

Ilustração do bloco 1

A vida real no asfalto: consumo de caixinha de abelha e chuva

Antes de fechar negócio, pensei que ela gastaria bastante combustível por ter um motor maior do que as cento e sessenta da vida. Mas fui surpreendido positivamente no posto de gasolina. Ela faz uma média excelente de 30 quilômetros por litro rodando tranquilo pelas avenidas da cidade. Quando vou para a estrada e preciso acelerar na velocidade máxima, o consumo cai para uns 15 quilômetros por litro, o que ainda é muito justo para o que ela entrega de força.

Agora vou contar uma verdade engraçada sobre a minha rotina com ela. Eu moro exatamente a 200 metros do meu trabalho. É extremamente perto, mas eu vou trabalhar com ela todos os dias apenas por pura preguiça de andar a pé! Ela é tão prática de montar e tão confortável no uso que virou meu chinelo de rodas. Se eu morasse mais longe, com certeza ela seria a melhor opção possível de transporte diário pela economia que faz no tanque.

E sobre encarar chuva, o papo reto é um só: chuva é igual em todas as motos do mundo, se você sair sem capa vai se molhar inteiro. Mas falando da segurança dinâmica do modelo, por ser uma moto muito estável e bem equilibrada, ela nunca escorregou comigo no asfalto molhado e nunca me colocou em risco por problemas técnicos ou características do projeto.

O que eu mais curti depois de seis meses

Para resumir o que faz essa moto ser tão querida pelos donos, separei os pontos que mais me conquistaram rodando esses 3500 quilômetros:

  • Motor tanque de guerra: A mecânica é perfeita para aguentar o tranco e os maus tratos naturais de quem ainda é novato no guidão e comete erros nas reduções de marcha.
  • Estabilidade e segurança absurddas: É uma moto muito boa para aprender a pilotar com confiança sem precisar ralar os joelhos no chão logo nas primeiras curvas.
  • Conforto na medida: A posição de pilotagem e o encaixe das pernas no tanque tornam a viagem prazerosa e não cansam o corpo.
  • Ronco do escapamento: Para uma moto de 249 cilindradas, o som original dela é lindo e encorpado. Não é aquele barulho escandaloso que incomoda a vizinhança, mas impõe um respeito muito bacana no trânsito.

Nem tudo são flores: o que realmente me irrita na FZ25

Como nosso compromisso aqui no blog é com a verdade nua e crua do asfalto, preciso mandar a real sobre as poucas coisas que me irritam no projeto dessa moto:

  • A falta de uma sexta marcha: Na estrada isso faz muita falta. Rodar longas distâncias em quinta marcha deixa o motor gritando alto em rotações elevadas, o que aumenta o consumo na velocidade máxima e gera vibração desnecessária.
  • Banco traseiro intermediário: O assento do piloto é confortável, mas a parte do garupa deixa a desejar se você for levar alguém em viagens mais longas, causando desconforto depois de algum tempo.
  • Sem porta USB nativa em pleno 2026: A suspensão é boa e eu gostei de quase tudo no painel, mas falta um carregador USB nativo de fábrica. Ela vem apenas com aquela tomada de 12 volts antiga. Para uma moto moderna ser vendida assim nos dias de hoje é complicado, pois obriga a gente a comprar adaptador para ligar o celular no suporte.
Ilustração do bloco 2

A verdade sobre o motor de 21 anos da Yamaha

Você já deve ter lido por aí críticas dizendo que esse motor de 249 centímetros cúbicos é velho e ultrapassado. E olhando para a história mecânica, a verdade é que a arquitetura fundamental dele não sofre alterações há 21 anos, desde o lançamento da primeira Fazer 250 lá no distante ano de 2005.

Embora o design, o chassi e a tecnologia da moto tenham evoluído de forma incrível, especialmente naquela reformulação visual agressiva de 2018, a base mecânica interna permanece exatamente a mesma. Ao longo de duas décadas, o propulsor passou apenas por atualizações periféricas e recalibragens obrigatórias para não sair de linha:

  • 2005: Lançamento do motor monocilíndrico original com injeção eletrônica.
  • 2012: Introdução do sistema BlueFlex para permitir o abastecimento com etanol ou gasolina.
  • 2018: Novo mapeamento da injeção, caixa de ar ampliada e um novo escapamento, rendendo um ganho sutil de potência que elevou o motor para 21,5 cavalos no etanol.
  • 2025 e 2026: Para atender às normas ambientais rigorosas do Promot 5 sem precisar gastar milhões em um projeto do zero, a Yamaha retirou o sistema flex na nova FZ25 Connected. Com essa calibração recente, o motor passou a rodar apenas com gasolina, gerando 21,3 cavalos de potência.

Apesar de ser criticado pelos amantes da ficha técnica por não ter a sexta marcha, esse motor é amplamente elogiado nas oficinas pela extrema confiabilidade, mecânica barata e excelente economia de combustível. É o famoso motor que não quebra por nada e não te deixa na mão na rodovia.

A matemática do bolso: meus gastos reais

Vamos falar de dinheiro, porque a realidade do trabalhador exige botar tudo na ponta do lápis. Antes de ter a ideia de comprar uma moto, eu sonhava alto com máquinas como uma MT-09, uma R1 ou até uma insana Kawasaki H2R. Eu via tudo isso como um sonho distante, mas quando a ideia de comprar uma moto possível entrou na minha cabeça, eu não parava de pensar nisso nenhum segundo.

Decidi pegar um financiamento bancário, o que economicamente todo mundo sabe que não é muito recomendável pelo valor dos juros, mas é uma saída muito interessante para quem tem pressa de viver como eu tinha na época. Hoje, rodando em média 500 quilômetros por mês para passear sem rumo e ir trabalhar, meus custos mensais reais ficam assim:

  • Parcela do financiamento: R$ 979,00 por mês.
  • Seguro da moto: R$ 300,00 por mês para dormir em paz.
  • Combustível: R$ 150,00 por mês rodando com bastante folga no tanque.

Na parte mecânica, o gasto é ridículo de baixo. Para cada 1500 quilômetros rodados eu faço a troca de óleo, usando 1,5 litro de óleo que custa em média 100 reais no total. Apenas isso e mais nada! Ainda não precisei trocar os pneus, não tive absolutamente nenhuma falha mecânica e nenhuma outra necessidade de manutenção surpresa.

A primeira revisão obrigatória dos 1000 quilômetros custou exatamente 350 reais na concessionária. A manutenção em autorizada é sempre muito mais cara do que em uma assistência comum do bairro, mas é recomendada pela fábrica já que eles te dão garantias e você não perde a cobertura do motor em caso de problemas.

O Veredito: por que "nunca comprar" essa moto?

Para responder a provocação que fiz no título desse artigo, o papo é reto: nunca compre uma FZ25 se você for um piloto em busca de adrenalina pura, velocidade final para apostar corrida na estrada ou se você se incomoda com especificações técnicas antigas no papel.

Agora, quem vai ser extremamente feliz com ela? O motociclista iniciante que precisa de confiança, o trabalhador que quer uma moto econômica na cidade e qualquer pessoa que priorize segurança mecânica, freios ABS eficientes e uma estabilidade digna de moto maior em rodovias.

Eu compraria ela novamente sem dúvidas pela segurança que me proporcionou nesses seis meses de aprendizado. Mas sendo 100% sincero com vocês: se hoje eu tivesse o dinheiro à vista ou se o banco tivesse aprovado o crédito lá no início, eu passaria da FZ25 e iria logo direto para a MT-03.


E você, qual é a sua opinião sobre ela?

Acha que a falta da sexta marcha na estrada é um defeito imperdoável em 2026? Ou você também prefere sacrificar um pouco de velocidade final em troca de um motor que é um verdadeiro tanque de guerra e não quebra nunca? Deixa seu comentário aqui embaixo, conta qual foi a sua primeira moto e vamos trocar essa ideia!